1. Na boa, véi?

Marco Silva trata o lema punk “faça você mesmo” (“do-it-yourself”) como “uma orientação à livre significação, quando estão em ruínas as significações pré-determinadas, “[…] uma linha de pensamento que questiona as noções clássicas de verdade, razão, identidade e objetividade, a idéia de progresso ou emancipação universal, os sistemas únicos, as grandes narrativas ou os fundamentos definitivos de explicação.”
Portanto, quando pensarmos em educação, pensaremos punk, como Paulo Freire: desenvolvimento de autonomia e senso crítico, onde o/a aprendiz é estimulado a sair do papel de receptor passivo de conhecimentos “encaixotados” para o papel ativo de construtor/a de seus próprios significados, protagonizando sua história de maneira holística e integrada, pois, como almeja Joseph Beuys (1985), “todo ser humano é um artista”.

A pibidiana Karina e sua poética

O PIBID

O Programa Institucional de Bolsas de Iniciação à Docência (PIBID) foi criado pela Fundação Coordenação de Aperfeiçoamento do Ensino Superior (CAPES), com a finalidade de valorizar o magistério e apoiar estudantes de licenciatura plena, das instituições municipais públicas e comunitárias, sem fins econômicos, de educação superior. O programa atende às diretrizes do Plano de Metas Compromisso Todos pela Educação, aos princípios da Política Nacional de Formação de Profissionais do Magistério da Educação Básica e de normas do MEC e atribuições legais da CAPES.

Um dos objetivos do PIBID é a elevação da qualidade das ações acadêmicas voltadas à formação inicial de professores nos cursos de licenciatura das instituições de educação superior. Assim como a inserção dos licenciandos no cotidiano de escolas da rede pública de educação, o que promove a integração entre educação superior e educação básica.

O programa visa também proporcionar aos futuros professores participação em experiências metodológicas, tecnológicas e práticas docentes de caráter inovador e interdisciplinar e que busquem a superação de problemas identificados no processo de ensino-aprendizagem. Além de incentivar as escolas públicas de educação básica a tornarem-se protagonistas nos processos formativos dos estudantes das licenciaturas, mobilizando seus professores como co-formadores dos futuros professores.

O subprojeto da Licenciatura em Artes Visuais do Instituto de Artes e Design da UFJF atuou, entre 2012 e 2013, na E.E. Clorindo Burnier e no Centro de Referência Herval da Cruz Braz, do município. Em 2014, temos como escolas parceiras E.E. Professor José Freire, E.E. Ali Halfeld, E.M. Padre Wilson e E.M. Nubia Pereira Magalhães e a Escola Internacional Saci como colaboradora.

As atividades do nosso PIBID acontecem nas escolas parceiras e no Laboratório Interdisciplinar de Linguagens (LILi), sediado no IAD e na Faculdade de Letras da UFJF.

O PIBID Artes

Observamos atualmente uma grande carência na formação de professores de Artes na compreensão e ensino da arte contemporânea. Além de ser conteúdo praticamente ignorado nas escolas, a arte contemporânea propõe novas formas de se pensar, perceber e sentir o mundo, formas essas que não podem, muitas vezes, serem apreendidas por meio de métodos tradicionais de aprendizagem. Deste modo, além de propormos a abordagem de um tema que é obscuro para muitos professores e estudantes de ensino fundamental, propomos também abordar este tema por meio de um método desenvolvido a partir de pesquisas sobre métodos didáticos heterodoxos e sobre processos de criação artística da atualidade.

Tratar a arte como conhecimento é o ponto fundamental e condição indispensável para nosso enfoque do ensino de arte, articulado em três campos conceituais: a criação/produção, a percepção/análise e o conhecimento da produção artístico-estética da humanidade, compreendendo-a histórica e culturalmente.  A apropriação desses campos possibilitará reformulações qualitativas na escola e o desenvolvimento de saberes necessários para um competente trabalho pedagógico. A atitude pedagógica apoiada nos fundamentos teóricos e práticos da educação e da arte contemporânea instala um modo de pensar capaz de gerar processos educativos propositores de ações para poetizar, frui e conhecer arte para a formação de pessoas em sintonia com o seu tempo.

Na palavra projeto está contida uma intencionalidade, que ainda é um vir a ser. Algo, como a arte, citando Pareyson, é “um tal fazer, que enquanto faz inventa o por fazer e o como fazer”. Pensar o aprendiz e o processo de aprendizagem com dinâmicas diferentes exige transformar as atividades isoladas das aulas de arte em um ensinar/aprender arte através situações de aprendizagem com seqüencias articuladas, continuamente avaliadas e replanejadas. Esse modo de trabalhar envolve a investigação do professor, atento ao seu grupo e ao conteúdo que quer ensinar.

Ao desenvolver-se na linguagem da arte contemporânea, tanto o professor quanto o aprendiz apropriam-se do pensamento da própria arte. E ao ressignificar o mundo por meio da especificidade da linguagem artística, mais poder de percepção sensível, memória significativa e imaginação criadora terão para formar consciência de si e do mundo.

Objetivos:

  • incentivar a formação de docentes de Artes com uma visão mais ampla e atualizada da área
  • contribuir para a valorização e autonomia de pensamento do magistério
  • inserir os licenciandos no cotidiano de escolas
  • perceber as escolas públicas como espaços de experimentação e de produção de conhecimento
  • contribuir para a articulação entre teoria e prática